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                  17/01
                  Jornal do Brasil
                  Para militares, perfil da missão já havia mudado
                        Comandante também aposta em consolidação da liderança
                        Luciana Abade
      
       Linha de frente - Fuzileiros Navais foram os primeiros a chegar no Haiti em 2004 para evacuar          a embaixada. Mais de dois mil já estiveram na missão nos últimos cinco anos
 

         A exemplo do Itamaraty, setores militares do governo brasileiro também acreditam que, passado o momento de caos que vive o Haiti desde a última terça-feira, quando o país foi devastado por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter, o Brasil deve consolidar sua liderança à frente da missão de estabilização das Nações Unidas no Haiti, (Minustah).
         A análise é feita pelo comandante do 10º Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais Haiti, Renato Rangel Ferreira, que esteve no Haiti durante o primeiro semestre do ano passado. Ferreira também aponta como fatores para a consolidação da liderança brasileira a experiência já adquirida no país e a confiança da população local.
Segundo o comandante, quando o 10º grupamento chegou ao Haiti, o perfil da missão de paz já tinha mudado completamente.
         As gangues violentas que dominavam o país já tinham sido controladas. Ainda assim, era preciso consolidar a segurança no país, desprovido de Forças Armadas. Apesar de toda a instabilidade e insegurança que o Haiti vive neste momento – saques e tiroteios já foram registrados após o terremoto – o comandante acredita que o trabalho já realizado pelas Forças Armadas não será perdido: – As perdas são materiais, mas a confiança não se perde.
         O povo haitiano deve estar contando com o Brasil. Desde quando a Minustah no Haiti teve início, em 2004, a Marinha já enviou mais de dois mil militares para o Haiti.
         Em cada um dos 11 contingentes enviados havia aproximadamente 250 militares.
         De maneira geral, Marinha e Exército desenvolvem o mesmo trabalho no Haiti. O comandante lembra, no entanto, que em fevereiro de 2004, antes de começar a oficialmente a missão da ONU, 16 fuzileiros navais brasileiros chegaram ao Haiti para evacuar a embaixada brasileira e proteger os civis que quisessem deixar o país.          Atualmente, 13 fuzileiros, sendo um oficial e 12 praças, cuidam da segurança da embaixada.
         De acordo com o comandante, o fato dos fuzileiros navais serem todos treinados no Rio de Janeiro contribuiu para o trabalho, uma vez que eles têm a chance de trocar experiência vivida no Haiti com os companheiros. Para Rangel, a presença de militares de outros países, principalmente os brasileiros, atuando neste momento de crise, podem fazer o Haiti repensar sua decisão de não ter Forças Armadas.
         Nos mais de cinco anos de atuação no Haiti, a Marinha destaca a quantidade de armas e drogas apreendidas e o resgate de pessoas submetidas a confinamento pelas gangues que atuavam haitianas como suas maiores realizações. Essas ações, segundo o órgão, contribuíram para que serviços como os de coleta de lixo urbano e de policiamento fossem restabelecidos. A realização das eleições presidenciais e parlamentares também é apontado pela Marinha como uma das principais conquistas obtidas a partir da presença militar brasileira na região.
         Para o comandante, apesar do caos, o trabalho das Forças Armadas não será perdido.        

 
 

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